rotina na pandemia é feita de miudezas do cotidiano e esperança em dias melhores

Poucos meses atrás, éramos um acúmulo de sonhos, projetos, fazeres, prazeres e afazeres. Afetos, dores, alegrias, encontros, ausências e memórias dividiam espaço com metas e objetivos de prazos variados, mais ou menos organizados, dependendo do afinco e da disciplina de cada um. Mas, desde o início da pandemia, a vida parece se alimentar apenas das miudezas do cotidiano e da esperança em dias melhores. O calendário avança, e nós seguimos, envelhecendo diante das coisas grandes suspensas pelo coronavírus e suas curvas assustadoramente ascendentes.

A boa notícia é que o miúdo da vida nunca foi tão significativo. Na falta de alternativa mais excitante, o ganha-pão dos cronistas ganhou também a atenção dos outros. 

Assim, de obrigações periféricas e desbotadas, o expediente para cumprir, a louça suja, a roupa lavada e as compras à espera de desinfecção viraram acontecimentos dignos de nota. O bicho de estimação, o que disseram no grupo da firma, o pão feito em casa, eles e tantas outras pequenas rotinas que antes até podiam passar despercebidas agora preenchem o vazio criado pelo isolamento e pelas más notícias.

Li estes dias um poema da poeta carioca Marília Garcia que diz o seguinte, assim mesmo, em minúsculas: 

“o que se passa todos os dias e que volta todos os dias
o banal o cotidiano o óbvio o comum o ordinário
o infraordinário
o barulho de fundo o hábito
— como perceber todas essas coisas?
como abordar e descrever aquilo que de fato
preenche a nossa vida?”

A pandemia ceifou pelo menos 400 mil vidas até agora. Interrompeu projetos, ampliou distâncias, colocou a morte diariamente no nosso campo de visão, levou gente querida de muitos de nós, colocou muitos modelos em xeque. Mas também nos mostrou que, de fato, há vida escondida no que é banal, habitual, ordinário. E, na despercebida potência do cotidiano, no enorme significado dos objetos à nossa volta e na força do que fazemos enquanto esperamos, quem sabe está uma saída para dias melhores. 

a peste da insônia

Ilustração do livro Cem Anos de Solidão

Apesar das incertezas e perdas produzidas pela pandemia, uma ou outra estrela bailarina têm nascido deste imenso caos que se instalou desde a chegada do coronavírus. Quero sugerir uma delas para vocês: o curta-metragem “La Peste del Insomnio”, que podemos traduzir como “A Peste da Insônia” e assistir gratuitamente  no site www.fundaciongabo.org e no YouTube

No filme de 15 minutos, 30 atores latino-americanos lêem trechos do mágico romance “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, descrevendo uma quarentena parecida com a que estamos atravessando – uns com mais juízo, outros com menos. 

Os trechos nos contam a respeito de uma epidemia que assolou Macondo, a aldeia do livro publicado em 1967. A Peste da Insônia fez um, depois dois, depois todos os habitantes da cidade perderem completamente o sono. E, embora o patriarca José Arcadio Buendía acreditasse que a doença era bem-vinda, porque faria a vida render mais, a epidemia escondia uma consequência terrível. Os dias e noites em claro evoluíam para o esquecimento, sumiam com as lembranças, o nome e a noção das coisas, a consciência do ser.

Ironicamente, Gabo perdeu-se da própria memória pouco antes de morrer, às vésperas de um feriado santo, aos 87 anos. Na época, parou de falar ao telefone, porque não reconhecia os interlocutores pela voz. Quando não sabia com quem conversava, fazia perguntas genéricas como “o que tem feito?”para tentar reencontrar o rumo. Coisas mais antigas, segundo consta, continuaram intactas na cabeça mirabolante do menino pálido, subnutrido e atormentado pelos piolhos que se tornou um dos maiores escritores do mundo.

Gabo morreu em 2014, dois anos depois de perder a memória. “Cem Anos de Solidão” permanece como um dos livros mais importantes da vida de muitos de nós. A Peste da Insônia encontrou a cura. Como Melquíades, o cigano corpulento, de barba rude e mãos de pardal que levou o gelo e outras invenções a Macondo, “La Peste del Insomnio” é uma pequena dose de imaginação e esperança, um pequeno alento em meio a tantas más notícias.

aldir blanc e a esperança equilibrista

Aldir Blanc, em cena do documentário “Aldir Blanc – Dois pra Lá, Dois Pra Cá”

Quando morreu Gabriel García Márquez, em abril de 2014, foi como se morresse um parente próximo, um avô querido, um professor remoto na arte de lutar fisicamente com cada palavra [e é quase sempre a palavra que vence]. A partida de Aldir Blanc, neste comecinho de maio, trouxe sentimento parecido, apesar dos seis anos e 8.236 quilômetros que separam uma passagem da outra, no tempo e no mapa.

Aldir Blanc fez parte da minha história antes mesmo que eu pudesse me dar conta. Entre as lembranças de criança mais antigas que tenho, estão as rodas de violão em família, em que os adultos se dividiam em dois grupos de vozes para reproduzir o diálogo entre dois velhos amigos que se reencontravam em um bar.

Eu não sabia quase nada da vida, do mundo e dos dilemas da existência. Tinha pouca ideia do fim dos amores e do estrago dos rancores. Desconhecia por inteiro o que os adultos divididos em dois grupos nas rodas de violão em família queriam dizer naquele verso a respeito do apreço não ter preço.

Hoje sei.

Anos depois, mais crescida, passei a prestar atenção nos arranjos melódicos das palavras, na diversidade de verbos, substantivos e advérbios que havia, e suas combinações. 

Por outras vias, cheguei novamente a Aldir Blanc e à coleção de mais de 500 composições dele. Uma obra poética enorme em muitos sentidos, que um antigo colega de jornal escreveu, com toda razão, fundia contrários – humor e fossa, devaneio e realidade, lirismo e grossura, a aldeia e o mundo. 

Aldir Blanc, um psiquiatra com a alma repleta de boemia, cantou a saudade, a política, o amor, ruas e risos, o descompasso e o contraste. Um punhado de escancaros e contidos, sustenidos e bemóis, sinais e desenganos, saudades e carnavais, Catavento e Girassol. O tempo, na transversal.

Partiu neste comecinho de maio um sujeito com quem tivemos a honra de aprender que a esperança é a equilibrista que sabe que o show de todo artista tem que continuar.

palavras mais buscadas na internet dizem muito sobre o isolamento

Foto de Josh Calabrese | Instagram @joshcala

É um exercício interessante olhar para as palavras mais buscadas na internet nestes tempos de isolamento social. Se, como era de se esperar, a procura por expressões ligadas ao coronavírus disparou, também cresceram consultas curiosas que dizem um pouco a respeito de como estamos atravessando os tempestuosos dias de pandemia.

São palavras e expressões que não têm relação direta com “covid-19”, “quarentena”, “coronavírus”, “sintomas coronavírus”, “álcool em gel” ou “posso pegar coronavírus duas vezes”. Mas, pelas bordas, explicam um bocado sobre como temos nos relacionado com as consequências, as mudanças, as perdas e as privações impostas pela doença.

A combinação “como fazer pão”, por exemplo, integra a lista das mais procuradas do período. Movidos quem sabe pelo bem-estar incomparável trazido pelo cheirinho de pão quente ou vai ver pelo desejo de transformação nascido do isolamento social, passamos a testar receitas, fabricar o próprio fermento, sovar, esperar crescer e assar pão em casa.

Assim, não deixa de ser simbólico que uma atividade que remete à concentração, autocontrole, simplicidade, afeto e paciência, ganhe tantos adeptos durante o caos. 

Do mesmo modo, chama atenção que, no último mês, o número de visualizações de vídeos de meditação no YouTube tenha apresentado uma alta de 35% quando comparado ao mesmo período de 2019. 

A palavra “empatia”, sobre a qual falávamos na semana passada, também ampliou sua presença nas ferramentas de busca e tendências da internet. A procura no Google – 140% maiores do que no mês passado – reforçam o que temos visto na publicidade, na profusão de lives, nas postagens, diários de bordo, happy hours virtuais e projeções para o futuro. A ideia de empatia está mesmo por todo lado durante a quarentena do coronavírus.

(Espero que estejamos mesmo preparados para nos colocar no lugar do outro).

Enquanto eu escrevia este texto, a procura por “covas abertas no cemitério” tiveram um boom repentino. No mesmo dia, o campeão de buscas era “whindersson separou”, reafirmando o que corre à boca miúda: que, nestes tempos de isolamento, não está fácil pra ninguém.

estamos mesmo preparados para a sociedade da empatia?

Ilustração O Vizinho Gentil, de Fernando Cobelo

A ideia de empatia está por todo lado nestes dias de isolamento social imposto pelo coronavírus. Na maioria das campanhas publicitárias, na profusão de lives, nas postagens, diários de bordo, happy hours virtuais e projeções para o futuro, por todo lado há registros de que sairemos da pandemia mais compreensivos, solidários e afeitos ao que é coletivo.

Mas será que estamos mesmo preparados para nos colocar no lugar do outro?

Empatia pressupõe um significativo grau de generosidade diante das coisas. Para praticá-la como manda o figurino, precisamos deixar o umbigo de lado, ouvir verdadeiramente, valorizar a diversidade, batalhar pela igualdade, refutar os preconceitos, brigar com as nossas próprias antipatias para tentar, sinceramente, compreender o que vem de fora.

Estaremos mesmo prontos para olhar mais do que exibir?

A pandemia expôs com tudo o quanto somos vulneráveis. O mesmo século que viu a tecnologia atingir níveis incríveis de inteligência e interação não conseguiu reagir com rapidez à proliferação de um vírus que mata indiscriminadamente. Temos máquinas quase perfeitas, mas não a vacina que neste momento nos salvaria. Temos canais virtuais para diferentes gostos, mas não comida e esgoto para todos.

Voltamos às formas de prevenção mais básicas. Lavar as mãos com água e sabão e evitar contato físico com outras pessoas é o que pode nos salvar. Se você tem a opção de ficar em casa, fique, para proteger a si e aos mais vulneráveis, dizem as autoridades com o mínimo de discernimento. Mas por quem realmente estamos trancados em casa? Estamos confinados também pelos mais vulneráveis ou apenas por nós mesmos?

Se os vizinhos do bairro ao lado não estão bem, porque faltam os ingredientes mais elementares para que vivam com dignidade, como obter paz e equilíbrio durante a quarentena e depois dela? Como dormir bem, cuidar da pele, praticar meditação, fazer cursos online, aprender a produzir o próprio pão, se não temos paz e equilíbrio com os nossos botões e com os que nos são mais próximos?

Não sairemos mais empáticos deste período se não estivermos agora, neste momento, right now, incomodados com as desigualdades que a pandemia escancarou. Não sairemos mais empáticos do isolamento se não estivermos agora, neste momento, right now, aprendendo a conviver com o que nos é estranho, resolvendo rusgas ao invés de criar desavenças, investindo no que nos une e não no que afasta. Agora, neste momento, right now.

carta aberta ao padre kelder brandão

Prezado Padre Kelder,

Tomo a liberdade de escrever esta carta aberta depois de ler seu artigo, alguns dias atrás, a respeito dos impactos do coronavírus na periferia do Espírito Santo. Não o conheço pessoalmente, apenas por meio das atividades públicas que o senhor desempenha e do que me conta uma amiga querida que temos em comum. Devo dizer que seu texto e o olhar que pude sentir a partir dele fortaleceram minha admiração e meu respeito. 

Obrigada por compartilhar sua visão das coisas neste momento de tensão, medo do futuro e melancolia, mas também de solidariedade, empatia e esperança em dias melhores.

É preciso falar insistentemente sobre a dureza da vida dos mais pobres. É preciso jogar luzes incansáveis sobre a violência e a forma como ela dizima jovens pretos e pobres. É preciso abrir os olhos de todos sobre o quanto isto também diz respeito a nós, que somos privilegiados pela cor da pele, pelo endereço da casa, pelo simples fato de termos esgoto, comida, oportunidades e possibilidades.

Minha missão por aqui geralmente é escrever sobre a importância da diversidade nas organizações e o modo como o racismo, o machismo e todos os outros tipos de preconceito emperram a nossa evolução como comunidade, como sociedade e como humanidade. 

Ultimamente, diante do cenário que nos foi posto por um vírus invisível e devastador, minhas reflexões passaram a incluir, também, a pandemia e seus efeitos emocionais, sociais e econômicos.

Como o senhor bem escreveu, o coronavírus atinge a todos, indiscriminadamente, mas as condições com que cada um enfrenta a doença são muito diferentes. Afinal, não dá pra dizer que os pacientes do Albert Einstein navegam no mesmo barco daqueles que não têm dinheiro para o sabão e o pão, para usar a expressão que o senhor sabiamente anotou. 

Espero que esta carta aberta o encontre bem de saúde e ainda disposto a batalhar pelos mais fracos. Sua força e generosidade são essenciais em tempos de paz; o que dizer, então, do quanto são importantes em tempos de guerra?

das coisas que circulam ao lado do coronavírus

Perdi a conta dos dias em que estou de quarentena. Por aqui, como provavelmente para muitos de vocês, tensão, melancolia, medo do futuro, um certo cansaço e algumas saudades dividem espaço com as obrigações diárias e as pequenas alegrias do cotidiano. Apesar do que pesa, sou privilegiada. Posso trabalhar em casa e tenho companhia, internet, esgoto, supermercado e farmácias (umas 10) a poucos passos de caminhada. 

De um lado, de mãos dadas com um vírus invisível, circulam notícias pouco otimistas sobre a saúde do mundo diante do coronavírus. Circulam perspectivas nada animadoras para a economia. Circulam os assustadores números da pandemia e informações falsas disseminadas por almas malvadas que acham graça do terror. Circula a falta de responsabilidade de determinados homens, na esfera pública e nos círculos privados.

Do outro lado, a solidariedade e a criatividade com que muitos escolheram lidar com a crise aquecem o coração da gente. Falo da música aconchegante que vem das lives, da linda iniciativa do ator de nariz adunco e cachos no cabelo, das vezes em que levamos comida para os vizinhos que vivem no vão da ponte. Falo das pequenas ações para estimular os negócios locais e das máscaras feitas à mão por costureiras voluntárias. 

Falo das mensagens que chegam quando a gente mais precisa, do bilhete oferecendo ajuda para os idosos do prédio, de tanta coisa que felizmente nem cabe aqui.

[Viva!]

Ouvi dizerem que, daqui em diante, a vida será marcada pela pandemia e pelo que fizemos ou deixamos de fazer durante o período. Há quem defenda que saíremos melhores do caos instaurado pela peste. Gostaria de ter convicção parecida, mas não sei. Sairemos do coronavírus mais amenos, mais serenos, menos treteiros, menos consumistas e mais generosos? 

Depois da pandemia, seremos, de fato, mais capazes de conviver em paz com nossos botões? Saberemos então diferenciar o essencial do que sobra? Chegaremos, enfim, a entender a importância de estar aberto à diversidade, de batalhar pela igualdade, de refutar o racismo, o machismo, a LGBTfobia e outros tipos de preconceito?

Tomara. Pois tolerância, humildade, justiça, equilíbrio, valorizar a diversidade, estimular os pequenos negócios, perseguir a empatia, respeitar o que nos é estranho seriam boas heranças para levarmos da temporada atual e da ressaca financeira que provavelmente ainda virá. 

Talvez seja este o plano divino. Talvez seja este o Weltgeist de que a colega falava, o espírito do mundo que Hegel dizia marcar ou transformar o Zeitgeist, o espírito do tempo. Mas isso é papo para outra hora. 

os primeiros dias da quarentena

Foto de Claire Mueller

Pandemias podem aflorar o pior e o melhor de cada um e que cabe a nós escolhermos o lado em que desejamos estar. Os primeiros dias da quarentena forçada pelo coronavírus evidenciaram as cercanias que se colocam. Fomos nos ajeitando, em uma ou outras, dependendo de quem somos, de como vivemos, para onde vamos e do que desejamos para nós e para o mundo.

Como numa guerra, nos dividimos entre despreocupados e zelosos, céticos e amedrontados, individualistas e generosos. Escolhemos o que postar e quanto comprar de papel higiênico. Escolhemos quais cuidados são possíveis dedicar a nós mesmos e aos que nos são queridos, mesmo que a distância. Escolhemos sobre defender a gravidade do momento ou minimizá-lo.

Cada escolha diz um pouco a nosso respeito e ao modo como tentamos nos virar diante do caos. 

Falo de opções, é bom deixar claro, não de obrigações e necessidades- não dos que não podem se dar ao luxo de trabalhar em casa, dos guerreiros que atuam nos hospitais, no recolhimento de lixo e outros serviços essenciais, nas farmácias, supermercados, restaurantes e entregas. Falo de opções, não de obrigações e necessidades.

Falo de quem pode escolher entre ficar em casa e sair, entre valorizar um pequeno negócio ou uma grande rede, entre abarrotar a dispensa ou abastecer a casa com o que é de fato necessário. Falo de quem pode escolher entre compartilhar notícias de fontes não comprovadas ou passar pra frente apenas as que tivemos tempo de conferir. Falo de quem, mesmo fora dos grupos de risco, age em prol dos mais suscetíveis.

Um vírus que nasceu do outro lado do mundo e em tão pouco tempo alcançou quase todas as nações tem dado recados importantes. Que a tecnologia que tanto nos polariza nasceu para encurtar distâncias, não o contrário. Que solidariedade e empatia são valores bonitos de falar, mas difíceis de pôr em prática. 

Que pandemias são sobre doenças, mas também sobre como lidamos com a escassez, as ausências e a solidão. Que a diversidade das pessoas é uma coisa maravilhosa, mas, não, não dá pra dizer que quem depende do SUS e quem se trata no Albert Einstein estão no mesmo barco porque o coronavírus não escolhe suas vítimas. 

Espero que aqueles que dizem que sairemos melhores desta história tenham razão. E, tanto quanto possível, que todos fiquem em casa.

a parte que nos cabe diante do coronavírus

Foto de Evgeni Tcherkasski

O coronavírus assusta não apenas pelos riscos impostos à saúde, mas também porque atinge o que nos une: o abraço, o encontro, o convívio de diferentes nos espaços coletivos que, por ora, estamos orientados a evitar. O imprevisível da doença também preocupa, somado à exaltação coletiva. O que fazer, então? Como atravessar a pandemia com sanidade e um mínimo de estabilidade?

Para começar, histeria não é boa companhia. Autocuidado, empatia e solidariedade, ao contrário, são. Cuide de você e de quem corre do seu lado. 

Respeite a quarentena, tanto quanto possível. Pense nos mais suscetíveis: os grupos de risco, os de menor condição financeira, os que não têm a opção de trabalhar em casa, os que precisam de ônibus para chegar ao trabalho, os que não têm casa. 

Apoie os negócios locais. Pequenas empresas são as mais ameaçadas por crises como a que estamos vivendo. A recuperação também costuma ser mais lenta e penosa para as menores do que para grandes organizações.

Dentro do possível, valorize a produção dos artistas da sua comunidade, consumindo seu trabalho em casa ou de maneira virtual. Há músicos realizando shows caseiros com transmissão ao vivo pelas redes sociais, por exemplo.

Se você comprou um ingresso para um evento que foi adiado, avalie a possibilidade de não pedir o reembolso e aguardar a remarcação da apresentação quando tudo voltar ao normal.

Há um grande evento de música a distância sendo gestado por um grupo de artistas brasileiros, inspirados pelo festival Eu Fico em Casa, em Portugal. Nos dias 24 a 27 de março, ao longo de 40 horas, mais de 60 artistas farão apresentações intimistas pela internet. Busque por @festivalficoemcasabr.

O mundo não vai acabar (ainda). Consumir de modo racional e organizado é o mais indicado, mesmo em tempos de pandemia. Estoques gigantescos não são sustentáveis e, pelo menos até agora, não são o caminho recomendado por quem entende do assunto.

Pandemias podem aflorar o pior e o melhor de cada um. Cabe a nós escolhermos o lado em que desejamos estar.