ohana [ou o que podemos aprender com o presidente da melhor empresa para se trabalhar no mundo]

Uma interessante palavra-chave guia a gestão da Salesforce, a companhia que hoje ocupa o primeiro lugar no ranking de melhores empresas do mundo para se trabalhar. É ohana, expressão de origem havaiana que significa que pessoas queridas, ligadas ou não pelo sangue, devem cuidar umas das outras.

Acontece que este aparente papo de bicho-grilo norteia não um empreendimento alternativo às margens de Woodstock, mas um meganegócio da área de tecnologia, com mais de 30 mil funcionários espalhados por 11 países.

Seu principal executivo, Marc Benioff, tem um perfil peculiar. Dono da influente Revista Time, ele concilia ativismo social, filantropia e técnicas avançadas de showman com uma fortuna de mais ou menos 7 bilhões de dólares.

Para colocar o conceito de ohana em prática, Benioff elegeu como pilares centrais o desenvolvimento dos recursos humanos, o bem-estar dos colaboradores e a promoção de políticas de diversidade e inclusão.

Os resultados têm sido repetitivamente reconhecidos, mesmo pelos filtros mais conservadores. A Salesforce foi eleita a empresa mais inovadora do mundo pela Forbes, o melhor lugar para se trabalhar pela Fortune e a 15ª empresa mais admirada do mundo, também pela Fortune. Benioff, por sua vez, ganhou da Forbes o posto de Inovador da Década e conquistou o terceiro lugar na lista de Empresários da Fortune.

O empresário conseguiu aliar o melhor de dois mundos. De um lado, criou produtos que o mercado valoriza. De outro, construiu um ambiente de trabalho inovador e democrático que desenvolve, por exemplo, a cultura de nivelar os salários entre colaboradores que executam tarefas semelhantes.

Por óbvio que possa parecer, a prática combate injustiças que historicamente afetam as mulheres, os negros e as minorias. Os resultados falam por si. Segundo a respeitadíssima consultoria McKinsey, empresas com maior diversidade de gênero nas equipes têm lucros 21% acima da média. Em organizações com diversidade étnica, os ganhos são 33% maiores.

Texto originalmente publicado em A Gazeta no dia 16 de novembro de 2019.