do que eu falo quando eu falo de minorias

Outro dia falávamos do desafio proposto pela escritora nigeriana Luvvie Ajayi para mostrar como certos grupos têm privilégios por sua origem, cor da pele ou orientação sexual, e o quanto as diferenças os distanciam dos outros. 

Ajayi propôs uma atividade aos participantes de uma palestra, fazendo perguntas sobre facilidades e dificuldades encontradas por eles ao longo da vida. Dependendo da resposta, os integrantes eram orientados a dar um passo adiante ou atrás. No final da ação, alguns estavam bem à frente dos outros, distantes o bastante para não conseguirem mais se comunicar. 

A ideia era mostrar como negros, mulheres, homossexuais e pessoas com deficiência, por exemplo, ficam para trás por causa da cor da pele, do gênero, da orientação sexual ou de impedimentos físicos. 

De quebra, o que se viu é que homens (e só depois as mulheres) brancos (e só depois os negros) heterossexuais (e só depois os LGBTI+) sem deficiência física (e só depois as pessoas com deficiência) haviam sido, de algum modo, privilegiados em muitos momentos de suas caminhadas simplesmente por terem nascido como e onde nasceram. 

Os outros, ao contrário, engrossavam as fileiras das minorias, mesmo que em grande número.

Não deveria ser de se estranhar, portanto, quando alguém defende que minorias não necessariamente estão em menor número numa comunidade. Embora o significado oficial da palavra seja “condição do que é numericamente inferior a outro”, quando falamos de grupos minoritários num determinado contexto ou sociedade estamos nos referindo não à quantidade de integrantes, mas a uma situação de desvantagem ou dependência social. 

O conceito não guarda um consenso absoluto, nem caberia num artigo modesto como este. Mas, em resumo, a partir desse ponto de vista, são as relações de dominação e privilégio que definem quem é minoria. Elas também, e cada vez mais, reforçam a urgência em proteger os diferentes, a importância de fortalecer a empatia e a necessidade de estimular a diversidade.