das voltas que a vida dá

A vida dá voltas do jeito mais doido possível. Basta uma decisão errada e – catapluft! – as coisas saem do lugar de um modo que parece que nunca mais vão voltar para o endereço de origem.

No fundo a gente sabe que um dia tudo se ajeita, mas na hora, na hora, não. Na hora, o buraco esfrega seu tamanho na cara da gente de uma maneira tão vigorosa que falta tudo: chão, esperança, equilíbrio, tudo, até o ar.

A gente só respira porque sabe que precisa, como aprendeu, por puro instinto de sobrevivência, desde mais ou menos a décima oitava semana da existência. Respira e vai, colecionando dias e respectivas noites como Florentino Ariza em sua longa espera por Fermina Daza – cinquenta e três anos, sete meses e onze dias, para ser exato como o grande Gabito em sua inesquecível saga de encontros, desencontros e reencontros.

De repente, uma ou outra inspiração acenam de longe, depois se achegam um pouquinho mais. A respiração fica ligeiramente mais leve, o buraco aparenta ser algum tanto menor. Um pé depois do outro, a gente levanta e anda, como na canção: sonhar, seguir.

🎶 [Eu sei, cansa].

Um pé depois do outro, levantar, andar, sonhar, seguir, como na canção, a gente reaprende que a vida dá voltas e, de repente – catapluft! – as coisas se ajeitam e tornam a ocupar seu lugar de modo que parece que sempre estiveram ali. A vida dá voltas do jeito mais doido possível.