sororidade, substantivo feminino

A palavra sororidade ainda não faz parte da maioria dos dicionários da língua portuguesa. Seu imenso significado, no entanto, ecoa todos os dias, em lugares diversos, nas atitudes de mulheres que protegem, apoiam, encorajam, fortalecem e incentivam outras mulheres.

Sororidade é a união entre mulheres, calcada na empatia, na defesa e no companheirismo de quem enfrenta problemas comuns e busca objetivos parecidos. É a aliança de iguais com diferentes, solidificada pela solidariedade e pela sensibilidade de quem conhece as dificuldades impostas quase sempre pelo mundo dos homens.

Sororidade tem a ver com não realizar julgamentos prévios, pois, muitas vezes, juízos precipitados com relação a mulheres refletem estereótipos machistas e patriarcais. Tem a ver com apoiar outras mulheres para buscarmos, juntas, a liberdade a que temos direito – ou deveríamos ter. Tem a ver com banir as palavras vagabunda e vadia do nosso vocabulário e parar de responsabilizar as mulheres pelas escolhas de um homem comprometido.

[Quem nunca?]

Sororidade simboliza o laço que convida as mulheres a lutar por direitos iguais, a raiz comum que convoca a combater os preconceitos de gênero. O prefixo soror vem do latim e significa irmã. Seu uso aponta para a irmandade entre mulheres, para a prática de ensinar que meninas não precisam odiar outras meninas, não precisam rivalizar com elas, não precisam se vestir para elas e nem considerá-las como concorrentes.

Pode parecer óbvio, mas a verdade é que fomos criadas, com raras exceções, para colaborar com os homens e competir com as mulheres. Lutamos para alcançar postos mais altos na carreira profissional, custe o que custar. Mas esquecemos que, quanto mais progredirmos, maiores as chances de levarmos outras mulheres conosco e maiores as possibilidades de implantarmos políticas de inclusão e igualdade nas empresas.

Vivemos em estado de alerta contra as vacas que flertam com nossos santos namorados, ex-namorados, maridos e ex-maridos [assim mesmo: como se fossem elas as vacas e eles os santos]. Investimos em vestidos, sapatos e maquiagens para brilhar na comparação com os vestidos, sapatos e maquiagens de outras mulheres. Mas perdemos em bom senso, deixamos a falta de empatia engolir qualquer sinal de compreensão e comunicação.

Praticar a sororidade exige que nos coloquemos umas no lugar das outras. Por mais difícil que pareça. Por mais novo que seja. Por mais que nem todas façam. Por mais que culturalmente sejamos treinadas para o contrário. De outra forma, seguiremos criticando, competindo e desprezando aquelas que deviam ser parceiras de batalha, ao mesmo tempo em que reforçamos o machismo, nutrimos a desigualdade e enfraquecemos a nós mesmas.

Sororidade é uma revolução feita de dentro para fora.

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