obrigada, 2015 | seja bem-vindo, 2016

Foi um ano duro, certamente. A economia, a política, os humores e o corpo apresentaram sinais de desgaste que espero sejam suavizados nesta nova temporada. Tomei nota sobre o que escreveu o professor: “Estude seu viver, observe sua deriva”, o que nos coloca para andar, o que acorda a nossa imaginação, o que estimula a nossa energia. Escrevi um pequeno dicionário para o ano que começava, A de alimentos orgânicos, água e alongamento, B de bicicleta, chás e crônicas, diversão e discos, escrever, foco, gim com água tônica, Here Comes the Sun, inspirações, jazz e jornalismo, Kind of Blue, leveza sempre que possível [nem sempre foi], movimento, Nina Simone, óculos, paciência e perseverança, queijo sem lactose, respirar profundo, sol e sossego, tom maior, utopias possíveis, Vitória, Waffle, xampu com cheiro bom, Yin-Yang e zarpar quando fosse preciso. Por certa indisciplina, deixei mais do que devia dele para trás.

Aprendi que grandes realizações exigem atenção aos pequenos começos. Entendi que as convenções, ao contrário, produzem condenados, como a pressa que esquece a natureza do tempo, a ambição que ignora os limites do espaço, a vaidade dos que valorizam o umbigo, o espelho e o poder no lugar do que convém. Vi um pouco mais ainda sobre a vaidade dos homens e senti ainda mais forte minha convicção de que melhor que o poder é a potência, melhor que o acúmulo é a permanência, melhor que o exagero é o equilíbrio, melhor que a posse é o sentido. Ouvi outra vez menos música do que gostaria. Li Cartas Extraordinárias – e E.B. White tem toda a razão: esperança é o que nos resta em tempos difíceis.

Cozinhei como terapia. Optei sempre que possível pelos alimentos orgânicos, reaproveitei as sobras das panelas e separei o lixo seco do úmido, em pequenas tentativas diárias de fazer algo pela sobrevivência do planeta. Segui firme com a acupuntura, mas nem tanto com a bicicleta. Comprei um bonsai, plantei couve, limão e rabanetes, colhi cogumelos e romãs em miniatura. Fui menos grata do que deveria. Torci com o coração inteiro para que aquele otimismo fosse tão logo também meu, que tenho tido mais trabalho por fazer que fé em certos tipos de homens e mulheres, mais dúvidas que disposição para ginástica, mais medo de determinados vivos que da maioria dos mortos. Desejei igualmente que aquela frase de cinema se tornasse a cada dia mais minha, de todos nós:

– Quanto maior me faço, mais simplifico minha vida.

Obrigada, 2015.
Seja bem-vindo, 2016.

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