da série leituras

DÊ CORDA NO RELÓGIO
Uma carta do escritor E.B. White a um homem que queria saber sua opinião sobre o que considerava um futuro sombrio para a humanidade
North Brooklin, Maine, 30 de março de 1973

aspas Caro sr. Nadeau:

Enquanto houver um homem íntegro, enquanto houver uma mulher compassiva, o contágio pode se alastrar e a perspectiva não é desoladora. Esperança é o que nos resta em tempos difíceis. Vou me levantar no domingo de manhã e dar corda no relógio, contribuindo para a ordem e a estabilidade.

Os marinheiros têm uma expressão para definir o tempo: dizem que o tempo é um grande blefista. Acho que isso também é verdade em relação à nossa sociedade – tudo parece sombrio, e então as nuvens se abrem, e tudo muda, às vezes de repente. É óbvio que a humanidade transformou num caos a vida neste planeta. Mas, como povo, provavelmente trazemos em nós sementes do bem que desde muito esperam pelas condições adequadas para brotar. A curiosidade, a inflexibilidade, a inventividade, a engenhosidade do homem o levaram a sérias dificuldades. Só podemos esperar que o ajudem a sair delas.

Segure o chapéu. Agarre-se à esperança. E dê corda no relógio, pois amanhã é outro dia.

Cordialmente,
E.B. White