confiança, outra vez

Um ano e dois meses depois de levantar a bandeira da fé na Física, na metafísica, nas canções, no tempo, nos encontros, numa noite inteira de sono, na madrugada silenciosa, no braço forte que envolve o corpo ou então na festa, descobri que a palavra confiança guarda em si o segredo da força que faz confiar.

A palavra confiança vem do latim con fides, com fé, aquela mesma, na Física, na metafísica, nas canções, no tempo, nos encontros, no braço, aquilo tudo,  apesar dos medos, das decepções, das expectativas desfeitas e das provas em contrário [e como elas insistem, não?].

Confiança significa crença na probidade moral, na sinceridade afetiva, na qualidade profissional, força, segurança, firmeza, esperança, otimismo, certeza. Traduz a promessa de dias melhores, não seu oposto, desacreditar, pensar que não vai dar, esperar que cedo ou tarde a casa desabe ou o amor acabe. Demonstra crédito nas promessas, disposição incondicional, convicção nas mudanças [as alheias e as nossas, talvez até mais díficeis de obter], não seu oposto.

Trata-se de um exercício – alguém escreveu, eu concordo – dinâmico de coragem [e coragem – o nome diz – é colocar o coração na ação, andar, correr ou voar impulsionado – ela de novo – pela confiança].

Confiar é dizer sim às cegas numa terça-feira qualquer, é mergulhar com tudo numa história sem garantias de final feliz, é perdoar até os maiores deslizes, até o orgulho, até o ciúme, até um escorregão doído, duro de esquecer, até o silêncio que não devia ser silêncio, até as faltas sem justificativa decente.

Confiar remete às expectativas concretizadas, não ao seu oposto, não ao telefone que não toca, ao aumento de salário que não vem, à dieta que não funciona, ao amor que não vinga, aos laços e nós que amarram a vida de um modo malvado, tapado, abafado.  Confiar depende mais da poesia que da lógica, mais dos afetos que das probabilidades, mais do espírito que do cérebro.

Confiar é sorrir só de olhar, sem histórico da escola, sem nada consta do cartório, sem fiança, penhor ou caução. É abrir a vida inteira numa conversa, entregar o joelho pro médico na cirurgia, emprestar o filho pra passear com a tia, dormir na estrada enquanto o outro dirige. É acreditar nas palavras e nas pausas, contar do amor que ninguém sabe, da saudade que você faz de conta que não sente, da novidade que precisa esperar uma semana inteira antes de virar notícia.

Confiar remete à leveza, não ao seu oposto, e depende mais do abstrato que do concreto, mais do cheiro que da matemática, mais da imaginação que do saber. Vem da fé, aquela mesma, sem explicação, sem razão, sem hesitação, simplesmente porque sim e pronto, por mais difícil que às vezes seja [e é].

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2 comentários sobre “confiança, outra vez

  1. Cara Ana, concordo contigo!Confiar é acreditar em si mesmo em todas as ocasiões, mesmo naquelas que perduram o engano..Afinal, quantas vezes nós falamos de (auto)confiança, mas discriminamos, agimos injustamente com o próximo, por puro impulso emocional..É fácil escrever sobre confiança quando nem nós mesmos cremos em nossas atitudes..acho que o meio o qual estamos inseridos fala muito de nós!Com certeza aonde vc trabalha,por exemplo, tem muita gente em que se deva confiar, outros nem tanto..e outros por discordar (ou não) de vc logo são dignos da sua não crença!A justiça(humana), por vezes torna-se algo puramente do caráter, e o caráter em algumas pessoas se demonstra muito verdadeiro, incorruptivel do começo ao fim; já em outros é tão mutante e volátil como escrever palavras trincadas num blog ou num simples papel para receber aplausos de uma platéia desconhecida..”Confiar é sorrir só de olhar”..ahahaha Quem dera se a beleza das palavras refletisse também a beleza da alma da pessoa humana!rs Teríamos um mundo repleto de bons escritores..bons na escrita e na prática dela..

    Obrigada.
    Abraço!

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