um sentido para a vida

Às vezes são os filhos, às vezes são as árvores, às vezes são os livros ou então são os amores, os maiores e mais bonitos, que fazem a gente rir [e de vez em quando chorar], tecer planos para o futuro, sonhar acordado, acordar nas madrugadas. Às vezes são as conquistas no trabalho, às vezes são os projetos bem-sucedidos, às vezes é a família ou então os afetos mais sinceros, sobrinho, irmão, mãe, pai, tio, vó, vizinho, qualquer um, desde que verdadeiro.

Às vezes são os encontros, às vezes são as palavras, às vezes é a beleza, a justiça, a arte, um olhar fundo ou então o tempo, ele e mais nada, um santo remédio posto a serviço das digestões, das cicatrizações, das desinfecções e dos consertos em geral. Às vezes são as canções que a gente repete e repete e repete, como aquela dos dois estranhos, cada um na sua estrada, numa esquina, num lugar comum, o certo e o incerto, paisagem, verdades, bagagens e o que mais estiver à mão, de dia e de noite, desde o início.

[“E aí? quais são seus planos?
Eu até que tenho vários
Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar”].

Devagar, filho, árvore, livro, amor, conquista no trabalho, projeto bem-sucedido, família, afeto, encontro, canção, beleza, justiça, arte, olhar, tempo e canção ajudam a dar sentido a um dia difícil, a uma noite que talvez fosse melhor esquecer, uma vida inteira de perguntas e vazios.

Às vezes são as boas causas, o bem-estar de uma comunidade, o futuro de um grupo de crianças, a sobrevida de uma espécie em extinção no mar ou na floresta, ou então salvar as tartarugas marinhas, protestar contra o excesso de carros, suavizar a fome dos que têm fome [vai ver a mais urgente de todas as bandeiras]. Às vezes é a , fé no tempo que torna a falta de sentido suportável,nos encontros que a gente coleciona e acredita na lei natural deles, na Física ou na metafísica, nas Bachianas Brasileiras ou no modo silencioso que tem todo o encanto do mundo, na opção de rir de tudo quanto possível apesar das ausências, na leveza, no movimento, fé na festa.

Às vezes são os amigos [até os que não percebem a falta que fazem], as relações que a gente constroi no bar, no telefone, nas horas boas e nos momentos graves, na varanda enquanto poda as plantas ou na cozinha enquanto cozinha, no carro enquanto roda a praça ou parado mesmo, até em silêncio se for o caso.

Devagar, boas causas, o bem-estar, o futuro, a sobrevida, a suavidade e resolver a fome dos que têm fome e os amigos [até os que não percebem a falta que fazem] ajudam a dar sentido a um dia difícil, a uma noite que talvez fosse melhor esquecer, a uma vida inteira de perguntas e vazios.