o prazer da espectadora diante do pênalti

Desculpa, gente, mas a verdade é que eu adoro ver pênalti.

O pênalti surgiu em 1890, num estádio de Armagh, na Irlanda do Norte, inventado – olha que coisa – por um goleiro. William McCrum, dono de uma fábrica de tecidos que jogava futebol nas horas vagas, estava cansado de discutir sobre o exato local em que deviam colocar a bola para a cobrança de uma falta e propôs que contassem 11 passos da linha de sua meta e resolvessem a parada apenas ele e o atacante adversário [dizem que no local do jogo tem um busto de McCrum, que não consegui descobrir se defendeu o pênalti ou não].

De lá pra cá, o mundo mudou, o futebol mudou, eu mudei, tanta gente, tanta coisa. O efeito estufa aumentou, Plutão deixou de ser planeta [e tem até quem diga que os signos não são mais os mesmos], o Bob Dylan, o Paul McCartney e a Amy Winehouse vieram ao Brasil, eu acreditei e desacreditei e acreditei e desacreditei de novo nas palavras dos outros, Zico e Sócrates perderam as cobranças na Copa de 86 e o Brasil acabou eliminado.

Roberto Baggio chutou pra fora naquela outra vez, o Orkut, o Twitter, o MySpace e o Facebook superaram o James Cameron e viraram os reis do mundo, eu passei a ter enxaqueca e inventaram a paradinha [depois proibiram, agora nem sei se pode ou não].

O David Lynch veio ao Brasil, o Wim Wenders fez um filme chamado “O Medo do Goleiro Diante do Pênalti”, o Devendra Banhart tocou no Teatro da Ufes e no dia seguinte almoçou no Deboni’s, o Ronaldo pendurou as chuteiras, o Adriano voltou e foi de novo, o Gabriel García Márquez consentiu uma biografia fundamental, os terroristas derrubaram o World Trade Center, a Física ensinou um bocado de coisas, e a Música também.

Tanta coisa aconteceu que às vezes nem parece o mesmo mundo de antes. Mas ver decisão de futebol entre o goleiro e o batedor continua tão divertido que neste domingo, como naquele dia em que o time feminino empatou na prorrogação no Estádio dos Trabalhadores, a camisa dez conversando com Deus, a Hope Solo bonita que só ela fechando o gol contra o nosso time e tal, eu torci pra ir pros pênaltis.

Desculpa, gente, mas a verdade é que eu adoro ver pênalti.

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