ainda sobre o grande gabito

Terminei agora há pouco de escrever a resenha para o jornal sobre a biografia do Gabriel García Márquez. É um livro e tanto, em diferentes sentidos. Primeiro porque tem 814 páginas, figuras interessantes e histórias recolhidas em 17 anos de trabalho e dezenas de entrevistas, revelando um Gabito contraditório, politicamente controverso, profundamente marcado pela presença do avô, pela ausência do pai, pela casa em que passou os primeiros anos da sua vida (e seus fantasmas, vivos e mortos) e por um fortíssimo sentimento de abandono, igualmente trazido da infância.

Também é um livro e tanto porque desperta vontades diferentes, de escrever mais, de viajar pela Colômbia (vamos?), de acordar a alma das coisas, de retomar uma história suspensa no ar e depois quem sabe reler (de novo) Cem Anos de Solidão, aquela edição surradinha que comprei no Centro, numa livraria da ladeira que nem existe mais (a livraria, não a ladeira), Rebeca, Amaranta, Úrsula e o menino com rabo de porco, Josés Arcádios, Arcádios e Aurelianos, que agora podiam ser outros, com nome, sobrenome, diminutivo e apelido, alguns igualmente mágicos, outros exatamente o contrário.

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