do que aprendi com saramago

O dia todo (e amanhã tem mais) disseram coisas sobre o José Saramago, do talento literário dele às posições políticas controversas, da descrença em Deus dele a sua fábula de quando a morte deixou de matar, dos livros, da vida, das pirraças e das discórdias. Falaram da obra, das frases marcantes, do exílio, de um monte de coisas, e de como o mundo ficou mais cego com a morte dele, referência bonita ao igualmente bonito Ensaio sobre a Cegueira, um livro que – acho – faz do Saramago, como o J.D. Salinger e O Apanhador no Campo de Centeio – um sujeito que não morreu e não vai morrer nunca.

Posturas polêmicas à parte, Saramago ensinou com suas frases imensas (em todos os sentidos) que a gente precisa “recuperar a lucidez, resgatar o afeto, saber da responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Com seus personagens sem nome – a mulher do médico, o ladrão, o primeiro cego, a rapariga de óculos, o velho da venda preta – cegados de repente por uma epidemia que ninguém tampouco sabia qual era, mostrou que, num mundo de cegos, as coisas eram o que verdadeiramente eram. Havia (como há) os cínicos, os maniqueístas e os egoístas e havia (como há, ufa) os que ainda sabem do sentido do substantivo afeto e do verbo dividir, e seguem, gostando e compartilhando, até nos momentos mais caóticos.

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