o acelerador de pessoas

Olha que coisa: a pesquisadora Karin Knorr Cetina, professora de sociologia do conhecimento da Universidade de Konstanz, na Alemanha, passou 30 anos observando os pesquisadores do laboratório suíço que abriga o acelerador de partículas LHC, numa espécie de estudo etnológico da tribo dos físicos, seus usos e costumes, suas noções de carreira, prestígio e autoria e seus modos de produção do conhecimento. Descobriu que a maior máquina construída pelos homens em todos os tempos com o objetivo pouco modesto de revelar aos físicos os segredos íntimos da matéria é, também, o maior laboratório humano da história da ciência moderna. Para Cetina, o LHC, além de ter revolucionado a ciência, também mudou, e muito, o modo como os cientistas produzem seu conhecimento – antes individual e repleto de vaidades, agora coletivo e necessariamente colaborativo.

Aqui tem uma entrevista com ela, publicada pela Folha deste domingo. Aqui tem um texto sobre o acelerador de partículas e os mistérios do planeta, que escrevi no início de abril.