da série releituras – sobre o humor

(porque feriados de sol me deixam incrivelmente de bom humor)

“É impolido dar-se ares de importância. É ridículo levar-se a sério. Não ter humor é não ter humildade, é não ter lucidez, é não ter leveza, é ser demasiado cheio de si, é estar enganado acerca de si, é ser demasiado severo ou demasiado agressivo, é quase sempre carecer de generosidade, de doçura, de misericórdia. O excesso de seriedade, mesmo na virtude, tem algo de suspeito e inquietante […]. Um pouco de humor, um pouco de amor, um pouco de alegria. Entre desespero e futilidade, às vezes a virtude fica menos num meio-termo do que na capacidade de abraçar, num mesmo olhar ou num mesmo sorriso, esses dois extremos entre os quais vivemos, entre os quais evoluímos, e que se encontram no humor. O que não é desesperador para um olhar lúcido? E o que não é fútil para um olhar desesperado? Isso não nos impede de rir do que vemos, e é sem dúvida o que de melhor podemos fazer. O que valeria o amor sem a alegria? O que valeria a alegria sem o humor? Tudo o que não é trágico é irrisório”.

Trecho do Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
André Comte-Sponville

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