[pra engrossar o coro] bastardos inglórios: divertido e libertador como as boas coisas da vida

Um texto de outubro passado, para engrossar a torcida pelo filme, daqui a pouco, no Oscar. Pra quem não leu ou não assistiu, aviso que, no quinto (e último) parágrafo, eu conto o final da história.

Esqueça a conversa de que Quentin Tarantino distorce os fatos ou profana a memória dos judeus oprimidos, ultrajados e massacrados pelo resto do mundo. Esqueça as críticas dos politicamente corretos (o politicamente correto acabou com a graça da vida) a respeito de sua festa de sangue, humor e extravagância. Esqueça. “Bastardos Inglórios” é um filmaço. Ponto. É também uma fábula sobre a vingança, sobre como responder à altura a um insulto alegra o coração, sobre como revidar uma agressão faz bem ao espírito e, no caso, à História.

(Estamos, claro, falando de imaginação).

Fábula, é bom repetir, é uma narrativa alegórica, uma ficção. Tarantino criou, portanto, uma alegoria onde os judeus são tão (ou mais) carrascos que os nazistas e matam – alguém já disse – como índios apaches saídos de um bangue-bangue, recolhendo escalpos de suas vítimas e marcando com uma suástica na testa os poucos que decidem poupar da morte.

Os judeus de “Bastardos Inglórios”, ao contrário do que estamos acostumados a ver no cinema supostamente sério e nos livros de história supostamente verdadeiros, não são vítimas indefesas das matanças da direita europeia. São vingadores que, liderados por um norte-americano típico (Brad Pitt) e ajudados por uma judia de origem francesa (Mélanie Laurent) que viu a família inteira ser morta pelo regime, andam pela França ocupada na Segunda Guerra matando alemães a pauladas.

Tarantino não quer, acho, negar o sofrimento (real, inestimável) dos judeus. Sua obra é, antes de tudo, uma obra sobre o poder do cinema, sua imensa (e incontestável) capacidade redentora, sua defesa como espaço de finais alternativos e julgamentos justos (neste caso: Hitler e seus capangas acabam eliminados no tribunal da sala de cinema). É um filme-catarse, divertido e libertador como são, divertidas e libertadoras, as boas coisas da vida.

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